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Informação | Entrevista/Reportagem

BRASIL JÁ É O SEGUNDO CONSUMIDOR DE VINHO DA AMÈRICA DO SUL

Segundo um estudo realizado pela IWSR – International Wine Y Spirit Record) o Brasil é o segundo maior consumidor de vinho em volume logo a seguir à Argentina

Em 2006 o consumo dos brasileiros situou-se em 326 milhões de litros. As previsões para estes dois próximos anos serão de um aumento de 13% ou seja, mais 43 milhões de litros.

Esta tendencia é o resultado da evolução de vários factores. Em primeiro lugar, o aparecimento de uma classe média que actualmente representa cerca de 52% da população, sendo estes consumidores que gastam mais na compra de vinho. O IBRAVIN – Instituto do Vinho do Brasil antecipa um aumento na aquisição de vinho na ordem de 39% em 2011.

A procura dos consumidores tem-se pautado, cada vez mais, por vinhos de melhor qualidade. A importação de vinho de qualidade está a crescer e representa já 80% do tal das importações de vinho.

Segundo a UVIBRA – União do Vinho Brasileiro, entre 2002 e 2008 a importação de vinhos estrangeiro aumentou 220% em volume e 300% em valor.

A concretizarem-se estas previsões o Brasil vai ocupar o lugar entre os cinco maiores países consumidores de vinho.

Principais Regiões Produtoras de Vinho no BRASIL

A viticultura é uma atividade já tradicional em nove regiões brasileiras. Como zonas de viticultura temperada destacam-se as regiões da Fronteira, Serra do Sudeste, Serra Gaúcha, Campos de Cima da Serra e regiões Central e Norte do Estado do Rio Grande do Sul; as regiões do Vale do Rio do Peixe, Planalto Serrano e Planalto Norte e Carbonífera, no Estado de Santa Catarina; a região Sudeste do Estado de São Paulo e, a região Sul do Estado de Minas Gerais. Porém aqui só nos interessa destacar as regiões que produzem uvas para vinho.

A região Norte do Paraná é tipicamente subtropical e as regiões Noroeste do Estado de São Paulo, Norte do Estado de Minas Gerais e Vale do Sub-Médio São Francisco (Pernambuco e Bahia), caracterizam-se como zonas tropicais, com sistemas de manejo adaptado às suas condições ambientais específicas. Além destes, novos pólos vitivinícolas estão a surgir em diferentes regiões do país, seja sob condições temperadas, tropicais ou subtropicais.

A viticultura brasileira desenvolvida sob condições temperadas segue quase os mesmos procedimentos utilizados em países tradicionais no cultivo da videira. Já nas regiões de clima quente, adaptaram-se técnicas diferentes a cada situação específica e os ciclos vegetativo e de produção são definidos em função das condições climáticas e das oportunidades e exigências do mercado.

Os principais problemas de ordem fitossanitária são similares, tanto nas regiões temperadas como nos climas mais quentes, destacando-se o míldio da videira (Plasmopara viticola) pela sua agressividade em todas as regiões.

Outras doenças fúngicas importantes são o oídio (Uncinula necator) nas regiões quentes e a antracnose (Elsinoe ampelina) nas temperadas.

As regiões tradicionais e os principais pólos emergentes da vitivinicultura brasileira são apresentados na seqüência deste artigo, agrupando-se as regiões segundo suas características ambientais em viticultura temperada, viticultura subtropical e viticultura tropical.

A Viticultura de Clima Temperado é tradicional, e concentra-se nos Estados do Sul e do Sudeste.  Representa cerca de 88% da área de vinhedos e mais de 98% da uva é utilizada para produção de vinhos, sumos e outros derivados.

Vários são os sistemas de manejo utilizados, dependendo da região e do tipo de produto objecto da produção. Em sua maioria são usadas  videiras e ‘porta-enxertos’ convencionais, oriundos de outros países. Entretanto, algumas novas castas, criadas no Brasil, estão em fase de franca expansão comercial.

Campanha e Serra do Sudeste do Rio Grande do Sul

Localizada na ”Metade Sul do Estado”, é uma região de campo, com topografia ondulada, apta à mecanização, cuja situação geográfica, com altitude variando entre 75m e 420m.

A temperatura média na região varia entre 17,6ºC e 20,2ºC, a precipitação pluviométrica média varia entre 1.367mm e 1.444mm, e a humidade relativa do ar, em média, situa-se entre 71% e 76%.

Esta diversidade ambiental vai originar vinhos muito diferentes dentro da própria região.

A região da Campanha, actualmente com aproximadamente 1.500 hectares consolidou-se como produtora de vinhos na década de 1980 a partir de um projecto implantado por uma empresa multinacional no município de Santana do Livramento, na fronteira com o Uruguai.

Já na Serra do Sudeste, a vitivinicultura ganhou importância económica através dos investimentos realizados por empresas vinícolas localizadas na Serra Gaucha.

Em ambos os pólos produtores são cultivadas exclusivamente castas de Vitis vinifera, com predominância das castas tintas internacionais Cabernet Sauvignon, Merlot, Tannat, Cabernet Franc, Pinot Noir; Touriga Nacional, Tempranillo e entre as uvas brancas destacam-se Chardonnay, Sauvignon Blanc, Pinot Griogio e Ugni Blan (Trebbiano).

A produtividade dos vinhedos na região situa-se entre 8 e 12 t/ha, dependendo da casta e das condições climáticas da vindima.

As uvas produzidas são principalmente destinadas a  vinhos tranquilos, embora venha  aumentando a  produção das brancas Chardonnay e Pinot Noir, para  espumantizar. 
 

                               Serra Gaúcha 

A Serra Gaúcha está localizada no Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, com precipitação 1.700mm, temperatura 17,2ºC e humidade relativa do ar 76%.

É a maior região vitícola do país com cerca de 40 mil hectares de vinhedos. Trata-se de uma viticultura de pequenas propriedades, pouco mecanizada devido à topografia acidentada, onde predomina o uso da mão-de-obra familiar.

A poda é realizada em Julho-Agosto e a vindima concentra-se nos meses de Janeiro a Março.

Mais de 80% da produção da região se origina de variedades de uvas americanas (Vitis labrusca, Vitis bourquina) e híbridas interespecíficas.  As castas de maior expressão neste grupo são:  Isabel, Bordô (Ives), Niágara Branca, Concord Niágara Rosada, Jacquez e Seibel 1077.

Referente às castas de Vitis vinifera, destacam-se as uvas brancas Moscato Branco, Riesling Itálico, Chardonnay e Trebbiano (Ugni Blanc); entre as tintas as principais são Cabernet Sauvignon, Merlot, Cabernet Franc, Tannat, Ancellota e Pinotage.

  

          Niágara Branca                               Isabel                               Pinotage                      Ancelota

A densidade de plantio situa-se entre 1.600 a 3.300 plantas por hectare e predomina o sistema de condução em latada ou pérgola (horizontal), proporcionando produção de 10 a 30 toneladas /ha, de acordo com a videira e as condições climáticas da vindima.

A maior parte da uva colhida é destinada à laboração de vinhos, sumos e outros derivados. As uvas de origem americana são utilizadas sobretudo para a elaboração de sumo e de vinho de mesa.

No que se refere aos ‘vinhos finos’ (de grande qualidade)’, merece destaque a produção de vinhos espumantes de alta qualidade, além dos vinhos tranquilos, brancos e tintos. Detentora de alta tecnologia enológica, sobretudo no segmento de vinhos finos, esta região vem crescendo como produtora de vinhos de qualidade. Uma evidência da evolução organizacional da vitivinicultura da região foi a criação da Indicação de Procedência Vale dos Vinhedos, em 2002, iniciativa que motivou outros grupos de produtores da região a seguirem o mesmo caminho.

Vale do Rio do Peixe/Estado de Santa Catarina

Localizada no Estado de Santa Catarina, esta região apresenta como indicadores climáticos médios 1.800mm de precipitação anual, temperatura 17,1ºC e humidade relativa do ar de 80%. A viticultura ocupa cerca de 2.200 hectares.

Apresenta grande similaridade com a Região da Serra Gaúcha quanto à estrutura fundiária, topografia e tipo de exploração vitícola, baseada no uso da mão-de-obra familiar e voltada à produção de uvas, em sua maioria, para a elaboração de vinho de mesa e sumo de uva.

A casta Isabel ocupa cerca de 75% da área de vinhedos, seguida por outras castas de Vitis labrusca e híbridas interespecíficas como Niágara Branca, Niágara Rosada, Ives e Couderc 13.

Predomina o sistema de condução em latada e a densidade de plantio situa-se entre 1.600 a 3.000 plantas por hectare. Nesta região, a produção de uvas viníferas não chega a 5% do volume total produzido, entretanto há a manifesta intenção de produtores tradicionais de vinhos de mesa migrarem para a produção de ‘vinhos finos’.

Região Sul de Santa Catarina

Esta tradicional região vitivinícola, compreende vários municípios incluidos na bacia hidrográfica dos rios Urussanga e Tubarão. A região possui como base da sua produção vinhos brancos da variedade híbrida “Goethe”. A área vitícola da região é de cerca de 90 hectares, distribuídos entre estabelecimentos de estrutura fundiária baseada na agricultura familiar.

 

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