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Informação | Entrevista/Reportagem

DO PORTO A ESTREMOZ EM DOIS SÉCULOS COM A FAMILIA REYNOLDS

A história da empresa começa com a chegada a Portugal em 1820 de Thomas Reynolds, marinheiro e comerciante inglês, atraído pelo negócio do vinho. Em 2011 Juan Reynolds produz no Alentejo vinhos de excepcional qualidade.

20-07-2011 - Edição: PF

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Durante algum tempo os Reynolds abastecem, a partir da cidade do Porto onde se instalam, o seu armazém comercial em Londres com diversos produtos ibéricos. Em 1838, introduzem-se na indústria corticeira e criam uma fábrica de rolhas em Albuquerque, Espanha, onde vivem durante onze anos.

A actividade é lucrativa, expande-se e em breve abrem novas fábricas de rolhas de cortiça em Portugal e Espanha. A família regressa a Portugal em 1850 e fixa residência em Estremoz, ainda que por pouco tempo. Thomas e o seu filho homónimo não se acomodam e, movidos pelo mesmo espírito empreendedor, embarcam com a família rumo à Nova Zelândia. A travessia duraria 130 longos dias e com eles transportavam um enorme rebanho de ovelhas merinas. Nunca regressaram a Portugal.

Robert fica em Estremoz à frente dos negócios, que rapidamente desenvolve com a aquisição de novas terras e a produção de vinhos de qualidade, actividade esta que exercia com particular empenho e paixão.

O Alentejo converte--se no berço definitivo dos Reynolds de Portugal e de Robert, o patriarca da família. Desse berço procedem o filho primogénito de Robert, Robert Rafael e, deste, Carlos. Carlos tem uma primeira filha chamada Gloria, Gloria Reynolds. Em sua honra, e de todos os seus antepassados que viveram no Alentejo, Julián, filho de Gloria, produz um vinho de qualidade, que leva o nome da sua mãe – Gloria Reynolds.

Gloria Reynolds contrai matrimónio em Espanha e ali nasceram todos os seus filhos. Um deles, Julián, mantém um vínculo mais estreito com Portugal e em 1998 adquire a herdade da Figueira de Cima, perto de Portalegre, no Alto Alentejo.

Aí planta uma vinha na encosta de um cerro coroado por um velho montado de sobreiros; converte um edifício em ruínas numa adega e recupera a produção de vinhos superiores, perdida na geração da sua mãe.

A história mais recente

Cento e oitenta anos depois, a história repete-se, com a chegada de Julián a Portugal que, tal como o seu tetravô, Robert Reynolds, estabelece-se no Norte do Alentejo, depois de uma vida empresarial de sucesso entre o Reino Unido e a Península Ibérica

A arte esteve sempre fortemente ligada aos Reynolds, desde que um dos seus ilustres antepassados, Sir Joshua Reynolds, primo directo de Robert, fundou The Royal Academy of Arts, em Londres, depois de se ter consagradoum grande pintor. Gloria Reynolds foi, na sua juventude, uma violinista virtuosa, enquanto outros membros da família alimentaram, de diversas formas, o culto da harmonia e da beleza em seu redor.

Julián, imbuído da mesma inquietude e sensibilidade, não se conformou em plantar uma vinha: para melhor ser admirada criou um jardim simples e bem cuidado, com caminhos flanqueados por cercas de lavanda, cujo aroma e cor acompanha o caminhaaté ao topo da vinha. Em Figueira de Cima o bom gosto é parte da qualidade do vinho; uma preocupação e a sua consequência.

Influenciada pelo microclima da Serra de S. Mamede, num lugar de imensa beleza, surge Figueira de Cima – duzentos hectares de prados raiados de verde, dourado e castanho intenso. Ali, a vista enche-se de céu e montanha, os carvalhos e os sobreiros são como rebanhos na paisagem.

Os quarenta hectares de vinha situam-se no cimo do cerro, o que lhe proporciona uma drenagem adequada e natural e uma excelente exposição solar; os solos são xistosos e a diferença de níveis produz uma acentuada variação térmica entre o dia e a noite, o que favorece a óptima maturação da uva. As principais variedades plantadas são as tradicionais da região: Trincadeira, Aragonês e Alicante Bouche, este última introduzida em Portugal pela família Reynolds há mais de um século e meio.

A adega encontra-se num velho edifício, usado no passado como estábulo de bois. A sua reconstrução e transformação respeitam integralmente a estrutura original: espessas paredes de pedra, tectos de madeira de castanheiro e solo de ardósia. É o local perfeito para a elaboração de um vinho excelente, com uma temperatura média inferior a 20º C e um bom nível de humidade permanente.

Grandes cubas de carvalho francês, fabricados especialmente para esta adega pela prestigiada tanoaria francesa Seguin Moreau, são utilizados na vinificação, tal como com os grandes “Chateaux”. Durante a vindima cada variedade de uva é colhida à mão em pequenas quantidades; depois fermenta nas cubas por decantação, sem pisar, num processo totalmente manual. O envelhecimento do vinho faz-se separadamente em barricas de carvalho francês da mesma tanoaria das cubas.

A combinação das distintas variedades tem lugar apenas e imediatamente antes do engarrafamento do vinho.
A adega tem duas marcas de vinho no mercado: FIGUEIRA DE CIMA tinto e branco e GLORIA REYNOLDS, tinto e branco. Produz ainda um vinho licoroso, sob a antiga etiqueta familiar ROBERT R. REYNOLDS, ao estilo dos “desert wines” do passado.

O GLORIA REYNOLDS será apenas produzido em anos de colheita excelente e é comercializado em termos exclusivos através de um clube de sócios.
 

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