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Informação | Entrevista/Reportagem

AAF - ANTÓNIA ADELAIDE FERREIRA DOC DOURO TINTO 2008

Casa Ferreirinha lança vinho comemorativo dos 200 anos de Dona Antónia

18-09-2011 - 12H24

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A Natureza revelou-se pródiga e aliou-se ao projecto de produzir um vinho que espelhasse toda a riqueza vínica do Douro num momento de homenagem a uma personalidade muito particular: a excelente qualidade das uvas da vindima de 2008 nalgumas das Quintas da Sogrape Vinhos na região – Leda, Boavista, Seixo, Caêdo e Sairrão – abriu desde logo as melhores expectativas à equipa de enologia da Casa Ferreirinha, liderada por Luís Sottomayor, para a produção de uma desejada especialidade à altura de homenagear os 200 anos do nascimento de Dona Antónia Adelaide Ferreira.

O laborioso trabalho na adega, a selecção criteriosa dos melhores lotes e o prolongado estágio em madeira de grande qualidade fizeram o resto, tornando possível produzir este vinho tinto bem representativo de toda a região e denominado AAF – Antónia Adelaide Ferreira Douro DOC 2008 – uma especialidade que honra a figura ímpar da mulher que mais projectou e amou o Douro e os seus vinhos, tornando-se a sua maior embaixadora.

“Pareceu-nos que fazia todo o sentido tentar enriquecer as comemorações dos 200 anos do nascimento de Dona Antónia com o lançamento de um vinho tinto do Douro de qualidade superior, uma especialidade da Casa Ferreirinha que, como sempre, se diferenciasse das marcas topo de gama já existentes no nosso portefólio”, explica Salvador Guedes, Presidente do Conselho de Administração da Sogrape Vinhos, para quem “o desafio assumido pela empresa foi coroado de êxito, já que o vinho produzido se revela digno da estatura da homenageada”.

Numa nota de prova realizada no passado mês de Julho, este AAF – Antónia Adelaide Ferreira Douro DOC 2008 apresentou uma cor rubi profunda e um aroma de grande intensidade, mas sobretudo de excelente complexidade.

Sobressaem as notas florais, a resina, esteva e alfazema, as especiarias, a pimenta, cravinho e ligeiro caril, mas também aromas balsâmicos a cedro e de frutos vermelhos bem maduros. Apresenta uma madeira de grande qualidade e bem integrada, fruto do seu longo estágio em barrica.

Na boca apresenta uma grande estrutura, acidez viva e muito bem integrada. Os taninos são firmes mas de grande qualidade, com forte presença de especiarias como a trufa e notas de frutos vermelhos maduros. O final é extremamente longo, intenso e harmonioso.

Luis Sottomayor, o enólogo que assina esta obra tão especial, não esconde o peso da responsabilidade sentido ao longo de todo o processo de vinificação realizado com recurso à tecnologia disponibilizada pelas adegas das Quintas da Leda e do Seixo: “O objectivo era produzir uma especialidade diferente e digna de uma homenagem a Dona Antónia. Fizemos tudo para não defraudar as expectativas criadas e, sem falsa modéstia, penso que estamos perante um vinho que honra a Casa Ferreirinha e a região do Douro, com grande capacidade de evolução na garrafa durante muitos anos”, sustenta o enólogo chefe da Sogrape Vinhos para a Região do Douro.

Uvas representativas de todo o Douro

As uvas seleccionadas em diferentes quintas da Sogrape Vinhos no Douro – Touriga Nacional (57%), Vinha Velha (20%), Touriga Franca (20%) e Sousão (3%) – foram vinificadas por castas separadas ou em lotes escolhidos na vinha ou na recepção da adega.       

“A escolha alargada das uvas, incluindo as provenientes das Vinhas Velhas da Quinta da Boavista, permitiu-nos produzir um vinho diferente, como aliás são sempre as especialidades da Casa Ferreirinha, mas bem representativo da riqueza de toda a região do Douro e da vindima de 2008”, conclui Luís Sottomayor.  

No processo de vinificação, as uvas foram submetidas a um suave esmagamento e a desengace total, tendo posteriormente sido encaminhadas para cubas de inox e/ou lagares com robots, onde se processou a maceração e a fermentação alcoólica. Durante este processo, realizaram-se remontagens por bomba com temperatura controlada por sistema automático. A maceração foi longa para se conseguir uma equilibrada extracção aromática e polifenólica.

No final, e no momento “exigido” por cada casta/lote, o vinho foi encubado e as suas massas prensadas, tendo o vinho resultante da prensagem sido conservado à parte do de lágrima.    

Logo após o final da maceração, o vinho foi transportado para as caves de Vila Nova de Gaia, onde, após as fermentações de acabamento, se seguiu a maturação ou “elevage” durante cerca de dois anos em barricas de madeira de carvalho novo francês.

Na sequência de inúmeras provas e análises efectuadas, o lote final foi elaborado com base na selecção dos melhores lotes e cascos existentes. Antes do engarrafamento – o IVDP aprovou 2.760 litros – o vinho foi submetido a uma ligeira colagem com albumina, admitindo-se que possa provocar formação de depósito durante o seu envelhecimento em garrafa.

Com um teor alcoólico de 14,43%, um pH de 3,45 e uma acidez total de 6,22 g/l, este AAF – Antónia Adelaide Ferreira Douro DOC 2008 está pronto a ser apreciado (3º ano de vida), prevendo-se que atinja o seu apogeu entre o 5º e 10º ano. Estima-se também que mantenha a sua melhor qualidade durante cerca de 20 anos.

Segundo Luís Sottomayor, estamos perante um tinto muito gastronómico que casa na perfeição com pratos de carne, como lombo de boi arouquês. O preço de venda ao público (PVP) recomendado é de €45.

A vindima de 2008

O ano vitícola de 2008 foi caracterizado por um Inverno com valores médios da temperatura do ar ligeiramente inferiores aos valores da média (1961-90 1931-60). O Inverno foi, de uma forma geral, pouco chuvoso, sendo que nos meses de Abril e Maio, os valores registados de precipitação foram superiores aos valores médios para qualquer uma das sub-regiões, repondo os níveis hídricos do solo. Assim, poderemos considerar que o ano de 2007-2008 foi um ano relativamente seco e com temperaturas amenas.

A vindima decorreu no Douro Superior a partir de meados e fim de Agosto, tendo-se realizado nas outras sub-regiões do Cima e Baixo Corgo a partir de segunda década de Setembro. As temperaturas foram na generalidade dos casos abaixo da média, com precipitações frequentes ao longo da maturação.

Estas ocorrências climáticas provocaram maturações muito longas, com as plantas a funcionarem, o que levou a uma evolução lenta dos teores do álcool provável, a decréscimos lentos dos teores de acidez total e, consequentemente, acréscimos lentos do pH. A evolução das componentes cromáticas (polifenóis totais e antocianas) nas uvas tintas registou valores elevados para a generalidade das castas e localizações, existindo um bom potencial a esse nível para ser explorado na vinificação.   

O perfil do enólogo

Luís Sottomayor, o enólogo que assina esta especialidade 2008 da Casa Ferreirinha de homenagem a Dona Antónia, assume-se hoje como um verdadeiro guardião de riquíssimo legado histórico da Casa Ferrerinha, o que representa desde logo a enorme responsabilidade de dar continuidade à genial obra iniciada por Fernando Nicolau de Almeida, de quem foi discípulo.

Com o mestre, Luís Sottomayor aprendeu que a enologia é, acima de tudo, um mundo de paixão, arte e verdadeira dedicação, ao qual os conhecimentos técnicos e científicos emprestam um suporte indispensável.

Estabelecendo para a Região do Douro objectivos ambiciosos e dignos dos seus antecessores, este enólogo já hoje integrado na elite da Sogrape Vinhos é o garante da continuidade da excelência dos vinhos da Casa Ferreirinha.

De facto, quando entrou, em 1989, na equipa de enologia liderada por mestre Fernando Nicolau de Almeida, Luis Sottomayor sabia que estava na casa certa para poder participar na produção dos melhores vinhos do Douro. Hoje, reconhecidas as suas capacidades e comprovada a qualidade do seu trabalho, dirige a equipa de Enologia da Casa Ferreirinha e de todas as marcas de Vinho do Porto da Sogrape Vinhos, responsabilidade que assumiu em Janeiro de 2003.

Autor do Barca Velha 2000, um vinho que em seu entender “nasceu, cresceu e amadureceu como Barca Velha”, e dos mais recentes Casa Ferrerinha Reserva Especial, Luís manifesta um enorme orgulho por ter a possibilidade de dar continuidade a uma história sem igual no mundo do vinho, enaltecendo a ousadia e a criatividade daqueles que, sem a ajuda das condições tecnológicas actuais, logravam produzir vinhos de excelência que desafiam o tempo.  

Outra obra por si assinada com notório sucesso foi o tinto Casa Ferreirinha Reserva Especial 2003.

Natural de Moreira da Maia, casado e pais de três crianças, Luis Sottomayor tem uma completa formação académica que inclui cursos de Enologia pela Universidade de Dijon, na Borgonha, e pela Universidade Charles Sturt, na Austrália, para além de uma pós-graduação em Enologia pela Escola Superior de Biotecnologia do Porto.  

Sustentando que o segredo dos grandes vinhos assenta na paixão daqueles que escrevem a sua história nas vinhas e nas adegas, Luís gosta de sublinhar o esforço que é feito na Sogrape Vinhos para preservar e engrandecer a herança recebida de grandes e prestigiadas marcas, através da conjugação dos valores da tradição com os anseios e as tendências que se desenham para o futuro.

A personalidade homenageada

Dois séculos depois do nascimento de Dona Antónia Adelaide Ferreira (1811-1896), que os seus conterrâneos apelidaram carinhosamente de "Ferreirinha", evocar esta figura ímpar da história do Douro Vinhateiro é prestar uma justa homenagem a uma mulher que se tornou um símbolo não só do empreendedorismo e da viticultura duriense, mas também um exemplo maior do altruísmo e da generosidade para com os mais necessitados.

A reportagem de “O Primeiro de Janeiro” sobre o funeral da “Ferreirinha” é emocionada e eloquente: ao longo dos cerca de quatro quilómetros que o cortejo fúnebre percorreu entre a Quinta das Nogueiras e a Igreja da Régua, dezenas de milhar de durienses ladearam a estrada e ajoelharam-se à passagem dos restos mortais da “santa” e da “mãe dos pobres”, como também era conhecida Dona Antónia Adelaide Ferreira.

Dona Antónia faleceu a 26 de Março de 1896 quando estava prestes a completar 85 anos de uma vida intensa ao serviço da causa do Douro Vinhateiro e dos seus habitantes, principalmente os mais pobres e desfavorecidos, tendo sido sem dúvida uma das personalidades mais marcantes da história de uma das primeiras e mais importantes regiões demarcadas da viticultura em todo o Mundo.   

Esta mulher franzina, mas também vibrante e corajosa, tornou-se um símbolo raro de empreendedorismo e é hoje recordada como um exemplo de tenacidade no combate ao drama e à miséria que se abateram sobre a região do Douro em consequência da praga da filoxera, destruidora de grandes vinhedos e dos sonhos de muitos agricultores arruinados. Um cenário de desolação a que a Ferreirinha soube responder com firmeza na luta contra a doença das videiras, através da investigação dos processos mais evoluídos de produção do vinho, de novas grandes plantações de vinha e de aquisições avultadas de terras e de vinhos a proprietários temerosos e descapitalizados.  

Herdeira de uma família abastada do Douro com uma importante actividade no cultivo da vinha e na produção de Vinho do Porto, Dona Antónia viu-se na contingência, aos 33 anos de idade, após ter enviuvado, de assumir a liderança dos negócios familiares e de tentar desenvolver aquela que viria a ser a casa FERREIRA – missão que cumpriu com raro brilhantismo, revelando uma extraordinária vocação de empresária.

Mas Dona Antónia não se limitou a gerir a fortuna recebida por herança. Antes investiu, de forma apaixonada e intensa, na Região do Douro que tanto amou, sem esperar pela protecção ou apoio do Estado. Da Ferreirinha se dizia que era generosa com os pobres e mais fracos, mas altiva com os mais ricos e poderosos; e que estava com a mesma naturalidade em casa dos trabalhadores mais modestos ou no Palácio Real. Todos estes atributos, a que se juntaram os seus vinhos finos, de qualidade premiada nas mais prestigiadas exposições internacionais, contribuíram para que esta mulher ímpar tenha adquirido uma aura mítica no mundo dos negócios e na Região do Douro.

Uma cultura empresarial familiar


As preocupações sociais de Dona Antónia ultrapassavam em muito o apoio concedido às famílias dos trabalhadores das suas terras e adegas, estando bem patentes no investimento feito na construção de quilómetros de estradas e de caminho-de-ferro na região, que chegou a dar trabalho a mais de mil operários, ou no seu contributo para a edificação dos hospitais de Peso da Régua, Vila Real, Moncorvo e Lamego, para além da ajuda à Misericórdia do Porto e a muitas outras instituições de solidariedade social. Ela enunciava, aliás, uma máxima elucidativa: “Cada um na sua terra deverá fazer tudo o que seja para bem da Humanidade”.

Mulher de sucesso num mundo dominado pelos homens, Dona Antónia desenvolveu como poucos os valores de uma cultura empresarial familiar – assente na ética, no respeito e na solidariedade –, potenciando ao máximo o estreitamento de relações entre a produção vitícola e as actividades comerciais, conjugando a importância da tradição com as inovações técnicas na cultura da vinha e na produção dos vinhos, ou fazendo da qualidade dos vinhos o primeiro suporte do prestígio da empresa.  

Quando faleceu, em 1896, deixou uma fortuna considerável e mais de duas dezenas de quintas de referência no Douro – um património físico e um conjunto de valores que os seus herdeiros preservaram ao criarem, em 1898, a Companhia Agrícola e Comercial dos Vinhos do Porto A.A. Ferreira – empresa que seria pioneira na produção de vinhos de mesa DOC do Douro, como o mítico Barca Velha (1952) da Casa Ferreirinha, e que a Sogrape Vinhos, dirigida por Fernando Guedes, adquiriu, quase um século depois, em1987, fazendo questão de manter intactos os valores culturais da empresa e orgulhando-se de potenciar toda a sua capacidade de conquista dos mercados com produtos de excelência.

Mas o grande legado de Dona António ultrapassou em muito a fortuna fabulosa que deixou. Ficou acima de tudo o mito, o símbolo da força do Douro, a generosidade de ouro chorada pelos necessitados, a defensora dos valores de integridade e ética de empresária que também os poderosos respeitaram.

Para perpetuar a memória deste símbolo de tenacidade e bondade, a Sogrape Vinhos e os descendentes da família Ferreira criaram, em 1988, o Prémio Dona Antónia, galardão que distingue, anualmente, uma mulher portuguesa que se destaque pelo espírito empreendedor e pelas características de organização e gestão empresarial reconhecidas à Ferreirinha.

A referência Casa Ferreirinha

A Casa Ferreirinha é uma marca que desde logo evoca e homenageia Dona Antónia Adelaide Ferreira.

Integrada no património da A.A. FERREIRA, uma das históricas casas de vinhos do Porto e Douro DOC, cuja primeira referência devidamente documentada surge em 1751 e a que o engenho de Dona Antónia Adelaide Ferreira deu dimensão e renome, a Casa Ferreirinha é hoje a referência dos vinhos do Douro, apresentado um portefólio riquíssimo que é encimado pelo mítico Barca Velha, cuja gama contempla preciosidades como o Reserva Especial, o Quinta da Leda ou o Callabriga, mas também celebrados vinhos de maior volume, casos de Vinha Grande e Esteva.

Propriedade da Sogrape Vinhos desde 1987, quando esta empresa adquiriu a totalidade do capital da A. A. Ferreira, a Casa Ferreirinha viu integralmente respeitados os valores construídos e consolidados ao longo da sua história, beneficiando contudo de investimentos em vinha e tecnologia, nomeadamente na lindíssima Quinta da Leda, que reforçaram a percepção da marca como sinónimo de vinho do Douro de elevada qualidade.

Situada na região Este do Douro, a Quinta da Leda é uma das jóias mais brilhantes da Ferreira e tem permitido à Casa Ferreirinha recriar-se em vinhos de grande complexidade e estrutura, portentosos mas plenos de frescura e vigor. È ali, onde o Douro se renova, que se confirma a excelência dos vinhos que criam os míticos Barca Velha e Reserva Especial.  

A Quinta da Leda configura todo um novo desafio enológico para a região, possuindo os mais modernos sistemas de plantação e vinificação do Douro. Nos seus 85 hectares de vinha, separados por castas, utilizaram-se, predominantemente, as castas Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca e Tinto Cão.

Em colaboração com a Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro de Vila Real, foi efectuado um estudo de investigação e selecção clonal das melhores castas do Douro, do qual resultou a escolha das castas na plantação desta Quinta, apenas tendo sido utilizados os melhores clones de cada uma na sua enxertia.

A adega da Quinta da Leda, construída em 2001, é exemplar, na medida em que utiliza uma abordagem que permite ao enólogo o contacto ideal e fácil com o vinho. É composta por várias secções que se desenvolvem na vertical, dando prioridade à recepção das uvas no plano superior e utilizando a força da gravidade para a movimentação das massas vínicas, o que garante um fluxo muito mais natural com ganhos de qualidade para o vinho.























 

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