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Informação | A Semana Crítica

LETRAS ESPREMIDAS: NOTA BREVE II

Por António Modesto Nunes

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O autor dos rótulos Quinta da Revolta, do produtor Veredas do Douro Sociedade Agrícola Lda, deveria saber que as letras não são uvas e, por isso, não se devem "espremer".

Um tipo de letra, qualquer que ele seja, tem uma autoria e deu trabalho a desenhar, a conseguir a sua proporção, a sua identidade. Que outros, por desconhecimento do que isso representa, lhe destruam a matriz, a eficácia e a harmonia — condensando-o ou expandindo-o — é mau e é, quase sempre, um "crime" que não compensa.

Se a justificação é a falta de espaço, existem, e aconselham-se, versões condensadas ou expandidas de origem, em vez do recurso a deformações grosseiras.

O tipo de letra Optima, usado no caso que se ilustra, é um dos desenhos de letra mais originais do reconhecido designer tipográfico alemão Hermann Zapf. 

Executado nos anos 50, ainda hoje mantém um uso considerável e a preferência de muitos designers gráficos. Sujeito a várias imitações e derivações, este tipo humanístico não serifado (sem patilhas) possui, por isso mesmo, um estatuto de grande originalidade genética.

Casos como este demonstram uma grande falta de cultura, de rigor profissional e nenhum respeito pelo trabalho de um "colega". E vistos por este prisma, revolta!



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