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Informação | A Semana Crítica

A SAGA DO VINHO BRASILEIRO - VINÍCOLA ANGHEBEN E O MINIMALISMO

Fiquem com o poeta da alma, Fernando Pessoa: Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.

01-06-2012 | Por PETER WOLFFENBÜTTEL

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Resolvi escrever sobre vinho brasileiro ante a discussão que campeia os meio vínico nacional, seja entre os homens da lei, seja entre os amantes do vinho, os profissionais do vinhos, restaurantes e os blogueiros, que é a questão da salvaguarda aos vinhos importados. Muito barulho até agora, com boicotes e ranger de dentes, mas de concreto me parece que a máxima do dividir para comandar está vigendo. O mundo brasileiro do vinho está, hoje, dividido.

Bem, mas a Vinícola Angheben foi fundada por Idalêncio Angheben, cuja biografia sempre se confundiu com a história moderna do vinho no Rio Grande do Sul, maior Estado brasileiro produtor e onde, de fato tudo iniciou.

Professor, orientador e motivador do moderno vinho nacional, Angheben foi um dos primeiros enólogos a sair das salas de aula e a estudar o terroir (leia-se clima + solo) para esta ou aquela uva.  Forte trabalho foi feito em tempos passados com a Cabernet Franc, que penso se adpata perfeitamente ao solo úmido e frio da serra gaúcha, mas hoje um pouco sumida.

O sonho de pioneirismo e de amor ao vinho foi passado ao seu filho, Eduardo Angheben, que hoje está no timão da vinícola, produzindo vinhos artesanais, os chamados vinhos de garagem, uvas selecionadas, produção liliputiana e preços acessíveis. Veremos.

Inspirados por esta luz e paisagem da foto acima, o pessoal da Angheben abre as portas da vinícola, todos os dias, para que possamos usufruir de suas preciosidades.

Mas e o minimalismo? Bem na arte é conhecido o minimalismo como o máximo no mínimo. O máximo da arte no mínimo dos traços. Quando abre seu atelier, a Angheben produz o máximo em vinhos no mínimo espaço, equipamentos e pessoas envolvidas.

Da única prensa, passando por alguns tanques de inox para a fermentação até estas barricas e terminou o atelier do Eduardo Angheben.

Quanto aos vinhos a Angheben optou por trabalhar de modo artesanal, fugindo a toda espécie de globalização, seja no estilo dos vinhos, na sua comercialização ou nas uvas.

As uvas utilizadas são: A branca Gewurtztraminer, original do Alto Ádige, ao lado do Veneto, de onde vieram a esmagadora maioria dos imigrantes italianos que se instalaram na serra gaúcha, as tintas, Barbera, Piemonte) Pinot Noir (Borgonha), Cabernet Sauvignon (Bordeaux),  a Teroldego (Veneto) e a Touringa Nacional (Portugal).

O estilo dos vinhos é sempre no sentido de respeitar o terroir de Encruzilhada do Sul, mais ao centro sul do Rio Grande do Sul. Clima mais frio nas nas noites de verão ao final da maturação, aliado ao sol, figura mais constante que na serra, fazem com que as uvas tenham um amadurecimento mais lento fixando melhor, cor, açúcares e aromas. Somado ao estilo de vinho estas uvas trazem.

NADA DE GLOBALIZAÇÃO.

Mas não pensem que é fácil andar na contra-mão. Ser minimalista num mundo absolutamente globalizado em estilo e ideias é complicado. Hoje muitos não enxergam amor no que fazem mas simplesmente dinheiro. Preferem mais quantidade do que qualidade, preferem o igual ao diferente, uvas pouco conhecidas e estilos de vinhos também fora do tinto retinto cheio de madeira parece loucura. E é, loucura saudável e necessária. Mas é preciso ser sensível e sonhador.

Pessoal da Angheben, só me prometam uma coisa, não mudem jamais, sob pena de deixar órfão, tanto o editor deste blog, como uma legião de consumidores fiéis.

Fiquem com o poeta da alma, Fernando Pessoa: Matar o sonho é matarmo-nos. É mutilar a nossa alma. O sonho é o que temos de realmente nosso, de impenetravelmente e inexpugnavelmente nosso.

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Peter WOLFFENBÜTTEL, 51 anos, advogado, é brasileiro e aos 20 anos de idade começou o namoro com os vinhos: «Primeiro os brasileiros, depois vieram os argentinos e chilenos, por fim com a globalização e a facilidade os europeus em especial os portugueses. Sempre tenho que vinho bom é aquele que dá prazer, claro que este horizonte de prazer pode ser aumentado com o estudo, degustações e comparações. E foi o que fiz. Por último senti a necessidade de divulgar minhas ideias sobre o vinho e, principalmente, desmistificar o mundo do vinho para que mais pessoas possam usufruí-lo. Nasceu, então, o blog alemdovinho».


 

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