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Informação | A Semana Crítica

COMPANHÍA GAUCHA - «QUINTA DO SEIVAL/CASTAS PORTUGUESAS»

A Campanha gaúcha possui longa faixa nas cercanias do Uruguai e da Argentina, ali chamada de Campanha Oriental. Está nas mesmas latitude dos grandes vinhos do sul do Equador, Chile, Argentina, Uruguai, África do Sul e Austrália.

Por PETER WOLFFENBÜTTEL

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A Região de Candiota possui um solo pedregoso de baixa matéria orgânica na superfície, muito sol no verão e frio rigoroso no inverno.

Por aqui este vinho do Grupo Miolo com castas (uvas) portuguesas Touringa Nacional e Aragonez  (Tempranillo) para os espanhóis, mesmo safra 2008 foi uma grata surpresa.

A Touringa Nacional está espalhada por Portugal, talvez seja a única uva com esta capacidade. Portugal mesmo sendo pequeno para os padrões continentais como o Brasil, possui regiões vínicas bem demarcadas e com uvas determinadas.

A Touringa circula, com desenvoltura, por todo o país, mas é verdade que encontra qualidade mais destacada no Dão.

Produz vinhos mais duros e vigorosos, aromas mais fechados, mas com bela carga de taninos o que dá aos vinhos estrutura e vigor necessários envelhecer com saúde.

A Aragonez, chamada assim, no sul de Portugal e de Tinta Roriz ao norte do país. Faz parte dos grandes vinhos do Alentejo (sul) e Douro (norte). Veio da Espanha onde, lá entre outros tantos nomes é mundialmente conhecida de Temperanillo. Vinhos de médio corpo a encorpado, aceita bem a madeira (barricas) e entrega ao vinho, quando em corte como este  aromas e leveza.

Pois bem este Quinta do Seival é uma gratíssima surpresa. Novidade nos pampas do Rio Grande estas uvas portuguesas. A adaptação foi muito boa, trouxe um vinho de cor vermelho escuro quase preto. 

Aromas de compota e frutos secos como figo e tâmaras, provavelmente vindos do envelhecimento em garrafa. Acidez média baixa, para mim o ponto fraco do vinho, pois ficou um pouco licoroso.

Na boca médio corpo, sem adstringência (taninos) marcante e a média acidez que tinha comentado. Final de gole um pouco rápido. Gostei do vinho e de saber que a Campanha já vem trabalhando seu terroir com castas específicas e, DIFERENTES, chega do império da Cabernet Sauvignon.

Portugal, assim como o Brasil, tem mania de menosprezar seu produto e suas qualidades, sem razão nenhuma. É com orgulho que falo sobre este vinho metade brasileiro, metade português.
 

Peter WOLFFENBÜTTEL, 51 anos, advogado, é brasileiro e aos 20 anos de idade começou o namoro com os vinhos: «Primeiro os brasileiros, depois vieram os argentinos e chilenos, por fim com a globalização e a facilidade os europeus em especial os portugueses. Sempre tenho que vinho bom é aquele que dá prazer, claro que este horizonte de prazer pode ser aumentado com o estudo, degustações e comparações. E foi o que fiz. Por último senti a necessidade de divulgar minhas ideias sobre o vinho e, principalmente, desmistificar o mundo do vinho para que mais pessoas possam usufruí-lo. Nasceu, então, o blog alemdovinho».



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