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Informação | Entrevista/Reportagem

ALLTODOURO LANÇA DISCUSSÃO SOBRE A MARCA VINHO DO PORTO E DOURO

16-12-2012 Foto de capa MMS/JdV



Definir uma estratégia coletiva de longo prazo para promover e valorizar o vinho do Porto e o Douro, cativar as novas gerações para o consumo deste produto nacional, apostar nas categorias premium de vinho do Porto para abordar novos mercados e novos consumidores, são as ideias fortes que sobressaem de uma série de debates promovidos pelo alltodouro, em Lisboa.

No âmbito do encontro com o Vinho e Sabores da Revista de Vinhos, que decorreu de 9 a 12 de Novembro, no Centro de Congressos de Lisboa, o alltodouro, além de um stand em feira com prova de vinhos e divulgação, reuniu uma série de líderes de opinião, profissionais e interessados no setor em três debates, para identificar uma série de desafios com que a região do Douro se depara.

Este encontro, que contou com o apoio da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), sobretudo pela iniciativa EmpreenDouro, proporcionou partilha de estratégias e conhecimento.

O ponto de partida para as conversas orientadas sob o tema “Vinho do Porto – Terceiro Milénio” foi a apresentação do “Estudo estratégico para  promover e dinamizar as vendas de vinho do Porto”, encomendado à Eurostaf, no âmbito do alltodouro, e realizado por Nicolas Boulanger, especialista em Luxo/Bens de Consumo.

Numa primeira análise, o estudo apresenta um diagnóstico duro sobre o vinho do Porto, mas depois sugere soluções: na última década, o vinho do Porto tem registado uma tendência de queda de vendas, em volume e em valor, “não tendo beneficiado da dinâmica dos mercados de vinhos e bebidas espirituosas premium” que têm registado uma subida a nível mundial.

Por outro lado, o estudo aponta ainda a forte dependência do vinho do Porto aos mercados tradicionais, onde é considerado produto mass market banalizado, e a pouca abertura a outros mercados. O consumo de vinho do Porto está concentrado 86% na Europa, quando, por comparação, a Europa só representa 30% no mercado de vinhos e espirituosos premium.

Mas há lugar para otimismo. O vinho do Porto tem pontos fortes a valorizar e capitalizar: história e identidade, denominação de origem - produzido em região demarcada e controlada, a primeira a ser demarcada e regulamentada no mundo – e experiência do ponto de vista da produção.

Algumas soluções passam pela valorização do produto, marketing, comunicação e distribuição e, acima de tudo, pela aposta nas gamas altas dirigidas aos novos mercados emergentes e aos novos apreciadores de boas bebidas.

UMA NOVA DINÂMICA COLETIVA

Foram, precisamente, esses os valores realçados na série de debates. Desde logo, foi consensual a lógica de criar uma dinâmica coletiva que una esforços e, nesse sentido, a marca alltodouro.com destacou-se como plataforma de diálogo.

O alltodouro.com é um projeto privado que ambiciona revelar um NOVO DOURO, estruturado em rede, unindo parceiros sob uma marca única em torno de um objetivo: valorizar o território Douro como destino turístico, realçando, também, os produtos do grupo e do Douro, utilizando a marca vinho do Porto como âncora internacional. A Greengrape, empresa de comunicação e animação turística, com sede em Vila Real, é o elo de ligação entre os parceiros.

“É uma iniciativa que nasce no interior do Douro e isso é novo”, realçou Bianchi de Aguiar, coordenador da candidatura do Douro a Património Mundial, dizendo-se satisfeito por ver a UTAD ligada ao projeto. “Esta é uma concertação de interesses que nunca existiu no Douro, uma região com uma densidade institucional grande, mas onde não tem havido uma visão integrada”, disse. Bianchi de Aguiar anotou que o vinho do Porto “arrasta Portugal”, mas Portugal pouco faz pelo produto e o próprio nome vinho do Porto “não faz justiça aos durienses” e à região produtora.

IMPORTÂNCIA DAS NOVAS GERAÇÕES

Renata Abreu, responsável pela área de exportação da Quinta Nova, que apresentou neste evento o Mirabilis, um vinho branco produzido a partir de vinhas velhas do Douro, num exclusivo de três mil garrafas, sustentou que “é preciso que o vinho do Porto venda glamour” e que aposte nas novas gerações. Aliás, esse foi de resto o ponto-chave que permeou os três debates: a aposta nas novas gerações.

Por um lado, na produção e rumo de negócios, para inovar, preservando a memória e o saber-fazer, por outro, na educação para o consumo de vinho do Porto. “É preciso fazer com que os jovens entrem no setor do vinho do Porto”, afirmou João Nicolau de Almeida, administrador da Ramos Pinto, acrescentando que eles “estão ’proibidos' de entrar, pois é preciso um stock mínimo de 150 mil litros”. Complementando, Renata Abreu afirmou que nesse sentido “é preciso mexer na legislação”, permitindo uma maior abertura do setor.

"O vinho do Porto não se aprende na universidade e esta cultura esta a perder-se, eu tenho a sorte de ter o meu pai que me ensina, mas quem não está dentro de famílias tradicionais deste produto não conhece", afirmou o enólogo João Nicolau de Almeida, filho.

UMA NARRATIVA PARA O VINHO DO PORTO

Miguel Viana, consultor de comunicação, realçou por seu lado a urgência em “criar uma narrativa para o vinho do Porto”, que explique rapidamente o que é o produto e clarifique os momentos de consumo. Depois, rematou, contundente, que é preciso desenhar uma estratégia de comunicação para o vinho do Porto com todos os agentes (marketing, relações públicas e publicidade). Também Francisco Velez Roxo, professor de Marketing na Universidade Católica, colocou a tónica na comunicação: “Nós não nos sabemos vender”.

SPERA MUNDI E VINHO DO COA

Renata Abreu reiterou, ainda, a importância da criação da ideia de “sonho” no vinho do Porto. “Temos um terroir fantástico, temos clima e pessoas fantásticas, harmonizações enogastronómicas incríveis e, às vezes, temos vergonha de ser quem somos.

E é, precisamente, por isso que é importante levar a nossa cultura e as diferenças regionais, a nossa história, para mostrar a nossa unicidade. Temos castas únicas em Portugal; são tudo fatores que ajudam a diferenciar o que somos. E, assim, podemos criar esse sonho”.

Nesse sentido, Celeste Pereira, reforçou a pertinência do projeto cultural Spera Mundi, que envolve a cultura, a identidade, a gastronomia, o vinho do Porto. O alltodouro.com é parceiro deste projeto que vê na cultura portuguesa um potencial universalista.

O Spera Mundi é um projeto da produtora portuense Ideias Peregrinas que teve a primeira realização para a Guimarães Capital da Cultura. A iniciativa integrou a companhia portuguesa Erva Daninha (Aduela), a companhia macaense Point View Art Association (Playing Landscape) e a Companhia brasileira Mystérios. Integrou ainda o cantor cabo-verdiano Bilan, que este fim de semana deu um concerto na iniciativa do alltodouro em Lisboa.

E porque a novidade é um dos motores da rede alltodouro.com, foi apresentado, neste contexto, ainda o vinho Museu do Coa, um primeiro produto gerado por esta rede, fruto da parceria entre Lavradores de Feitoria e o Museu. Quem adquirir o vinho ganha de imediato uma entrada nesse núcleo museológico, que terá o produto à venda, para além das garrafeiras nacionais.



 

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