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Informação | Entrevista/Reportagem

QUINTA DE FOZ TORTO: UMA HISTÓRIA INVULGAR

Um sonho antigo e o apelo telúrico exercido pela mais antiga região vinhateira, foram os dois ingredientes que levaram Abílio Tavares da Silva, ex-informático, a vender as empresas que detinha em Lisboa e rumar ao Douro.

2014-01-03

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A Quinta de Foz Torto é uma das mais bem localizadas propriedades do Douro. Situada na marginal (EN 222) entre a Régua e o Pinhão, na confluência dos rios Torto e Douro (a 2 km do Pinhão), a propriedade está a renascer transformada num dos mais belos “spots” da região: uma quinta “boutique” com vistas soberbas, onde vai ser possível degustar os vinhos, sentir a natureza, fruir a paisagem ao longo de percursos pedestres e miradouros e saborear os produtos cultivados em pequenas hortas.

Ou seja, o vinho será uma das várias dimensões da experiência multissensorial que envolverá cada visita a Foz Torto. Pela sua localização, beleza e oferta, Foz Torto passará a ser um dos sítios mais apelativos e incontornáveis do Douro.

Tudo isto se deve a uma história pouco comum. No ano 2000, Abílio Tavares da Silva decidiu mudar de vida. Vendeu as empresas que detinha em Lisboa – uma delas, a empresa de serviços de Call Center Plurimarketing foi vendida ao grupo francês Teleperformance, hoje líder mundial na área - e rumou com a família até ao Douro, à procura de um local que lhe permitisse produzir vinhos na mais antiga região demarcada e regulamentada do mundo.

Encontrou o sítio ideal depois de uma longa procura: uma propriedade com 14 hectares em pleno coração da região vinhateira, com vistas fantásticas e uma exposição privilegiada para a produção de vinhos: sul e poente.

Seguindo um detalhado projeto de reconstrução, o produtor manteve três hectares de vinhas velhas plantadas em socalcos e replantou cerca de 80 por cento da propriedade com castas tradicionais durienses (Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinto Cão e Tinta Barroca, entre outras).

A par da recuperação da quinta foi, igualmente, reconstruída uma velha adega no centro do Pinhão. O projeto, da autoria do arquiteto Paulo Gomes, deu vida nova a uma adega tradicional em avançado estado de degradação.

Com uma intervenção contemporânea, que respeita a traça e os materiais tradicionais, o edifício vai ser em breve o centro de receção de turistas.

Abílio Tavares da Silva prepara-se agora para a reconstrução da velha ruína da propriedade, centro do futuro projeto de enoturismo de Foz Torto. A inauguração desta unidade com oito quartos está prevista para 2015. Foz Torto envolveu já um investimento de 2,5 milhões de euros, sendo que a finalização de todo o projeto, enoturismo e vinhos, está orçada em mais 1 milhão de euros.

De empresário de sucesso a viticultor

“Queria construir algo novo, especial, feito e pensado ao pormenor. Um espaço para produção de vinhos de elevada qualidade, mas também um local para ser vivido e fruído com calma. Para sentir os cheiros e aromas, provar as frutas e ‘degustar’ a paisagem”, afirma Abílio Tavares da Silva.

Licenciado em informática e pós-graduado em gestão, Abílio Tavares da Silva possui ainda licenciatura em enologia pela UTAD. Foi sócio e fundador de várias empresas na área do software financeiro e dos call centers, entre elas a Altitude Software, a Audaxys e a Teleperformance.

A sua experiência na gestão de empresas a operar em diversos mercados internacionais, a rede de networking, os conhecimentos em enologia e o espírito empreendedor são ferramentas críticas para o sucesso de Foz Torto.

Em maio de 2013, o projeto Foz Torto foi uma das quatro empresas vencedoras da primeira edição do Prémio Douro Empreendedor, na categoria “Douro uma boa região para investir”, graças à invulgar e inspiradora história protagonizada pelo seu promotor.

Aposta na qualidade dos vinhos

Neste projeto, desde o tratamento das cepas, até ao engarrafamento, todos os pormenores são tidos em conta. A liderar a equipa responsável pelos vinhos Foz Torto está Sandra Tavares da Silva, uma das mais reconhecidas enólogas nacionais, criadora de alguns dos vinhos portugueses com classificações mais elevadas no estrangeiro.

No início de 2013 foram lançados os primeiros vinhos e agora foram apresentados três novos vinhos. Numa apresentação formal àos jornalistas no restaurante Assinatura, em Lisboa, tivemos a oportunidade de fazer uma prova enogastronómica e trocar impressões com o produtor e a sua equipa de enologia.

Houve, também, oportunidade para provar também algumas amostras de barrica que apontam para a consagração de mais uma excelente referência no Douro e na sub-Ragião do Cima Corgo.

Os vinhos provados revelaram consistência, sobriedade e excelente aptidão gastronómica. Destaque para o equilibrio, estrutura e a elegância que lhe é conferida pelo excelente nível de acidez. Na mesa casaram na perfeição com propostas mais arrojadas apresentadas pelo Chef João Sá, como uma «Ostra e dashi português com iogurte fumado e tapioca» ou um mais curial  «Lombo de veado wellington com molho de cassis», tornando esta prova numa excelente revelação e comprovação.

  • Foz Torto Douro Vinhas Velhas tinto 2011


Uvas provenientes de Vinhas Velhas com cerca de 60 anos, com mistura de castas autoctones do Douro.

Vinificação
As uvas devidamente selecionadas e desengaçádas fermentaram em cuba com controlo de temperatura durante oito dias. O estágio e fermentação malolática decorreram em barricas de carvalho francês durante 20 meses.

Dados Analíticos
Álcool - 14,5%, pH - 3,66, acidez volátil - 0,7 g/L (ácido acético), acidez total - 5,0 g/L(ácido tartárico), extrato seco - 35,9 g/L

Produção Total 2533 garrafas 75 cl

Notas de Prova
Boa intensidade de cor, aromas de frutos silvestres maduros associados a notas especiadas. Na boca apresenta excelente equilíbrio com boa fruta, frescura e mineralidade.
 

  •  Vinhas Velhas DOC Douro Branco 2012

Uvas provenientes de vinhas velhas com predominância das castas Rabigato e Códega do Larinho.

Vinificação

As uvas devidamente selecionadas e desengaidas foram prensadas numa prensa pneumática e a fermentao decorreu em barricas de carvalho francês durante quatro semanas a baixa temperaturas. O vinho estagiou nas mesmas barricas durante sete meses.

Dados Analíticos

Álcool - 13,0%, pH - 3,29, acidez volátil - 0,4 g/L (ácido acético), acidez total - 5,8 g/L(ácido tartárico), extrato seco - 19,8 g/L

Notas de Prova

Cor citrina, aroma muito fino e elegante com uma fruta muito delicada e notas minerais Na boca apresenta bom volume, com uma acidez fina e excelente equilíbrio.
 
Produção Total: 1200 garrafas 75 cl

 

  • Foz Torto Douro tinto 2011


Laborado a partir de  40 por cento de Touriga Nacional, 30 por cento de Touriga Franca, 10 por cento de Tinta Francisca, 5 por cento de Tinta Roriz, 5 por cento de Alicante Bouschet, 5 por cento de Sousão e 5 por cento de Tinta Barroca.

Vinificação
As uvas devidamente selecionadas e desengaidas fermentaram em cuba com controlo de temperatura durante 8 dias. O estágio e fermentação malolática decorreram em barricas de segundo ano, durante 16 meses.

Dados Analíticos

Álcool - 14,5%, pH - 3,72, acidez volátil - 0,7 g/L (ácido acético), acidez total - 4,7 g/L(ácido tartárico), extrato seco - 34,4 g/L

Produção Total: 4266 garrafas 75 cl

Notas de Prova
Bonita cor ruby, aroma muito fresco com notas de frutos pretos associados a especiarias. Na boca apresenta bom volume com excelente fruta e taninos muito elegantes.
 

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