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Informação | Entrevista/Reportagem

FOZ TORTO CONSOLIDA PROJECTO VINÍCO

Não há concessões. Os vinhos Foz Torto seguem o espírito do produtor, apaixonado pelo Douro e respeitador integral da sua identidade e valor.

 2/2015

Abílio Tavares da Silva anda com obras na adega. Quer construir pequenos lagares para poder vinificar quantidades reduzidas de uvas, de diferentes parcelas, e conhecer melhor a vinha que tem em mãos. “É a forma correta de fazer as coisas”, responde. Hoje, como em 2005, quando comprou a Quinta Foz Torto,  a atenção aos pormenores e o respeito pelo carácter do território são atitudes de que não prescinde.  Só assim poderá cumprir o sonho que o levou a abandonar o bulício de uma vida de empresário em Lisboa e rumar ao Douro com a família, em 2000: fazer um vinho que traduza o esplendor da região. 

 
Durante este ano, Abílio espera iniciar a reconstrução da ruína da quinta, transformando-a numa casa de habitação e pequena unidade de alojamento. Como com o vinho, o projeto de enoturismo tem lá dentro o que o apaixona: as vistas soberbas sobre os socalcos que descem até ao rio, a horta e as árvores de fruto com os produtos de cada estação, as vinhas, o silêncio do Douro. 
 
Vinhos de boutique
 
Em 2010, nasceram os primeiros vinhos Foz Torto e, três anos depois, chegava ao mercado o Foz Torto tinto de 2010 e o Foz Torto Vinhas Velhas branco 2011. Um ano mais tarde, saiu o Foz Torto Vinhas Velhas tinto 2011, feito de vinhas velhas com mais de 30 castas. Também feitos com vinhas velhas, maioritariamente códega do larinho e rabigato, os vinhos brancos são oriundos de uma propriedade adquirida em Porrais, Murça. 
 
Quando rumou ao Douro, Abílio foi também estudar enologia na universidade transmontana, mas, como em tudo o resto, sabe que é preciso tempo e experiência para fazer vinhos de elevada qualidade, pelo que entregou a enologia dos vinhos Foz Torto a  Sandra Tavares da Silva, reconhecida enóloga portuguesa. 
 
Focado na qualidade e consistência do projeto, o produtor de Foz Torto mantém ainda uma produção reduzida – cerca de oito mil garrafas por ano –, mas os seus vinhos têm conquistado elogios do consumidor e boas classificações por parte dos especialistas que descobrem este vinho boutique que ambiciona homenagear o Douro. 
 
Esplendor do Douro
 
A Quinta de Foz Torto situa-se na Região Demarcada do Douro, perto do Pinhão e na confluência dos rios Torto e Douro. A propriedade tem 14 hectares e uma exposição privilegiada para a produção de vinhos tintos: sul e poente. Seguindo um detalhado projeto de reconstrução, Abílio Tavares da Silva manteve três hectares de vinhas velhas plantadas em socalcos e replantou cerca de 80 por cento da propriedade com castas tradicionais durienses (Touriga Nacional, Touriga Francesa, Tinta Roriz, Tinto Cão e Tinta Barroca, entre outras).
 
Foz Torto está a renascer transformada num dos mais belos “spots” da região: nesta quinta “boutique”, com vistas soberbas, é possível degustar os vinhos, sentir a natureza, fruir a paisagem ao longo de percursos pedestres e miradouros e saborear os produtos cultivados em pequenas hortas. O vinho é assim uma das várias dimensões da experiência multissensorial que Abílio Tavares da Silva proporciona a quem visita Foz Torto. 
 
A par da recuperação da quinta foi, igualmente, reconstruída uma velha adega no centro do Pinhão, na qual Abílio quer agora fazer também experiências de vinificação que possam produzir novo conhecimento a incorporar nos vinhos Foz Torto. 
 
De empresário de sucesso a viticultor
 
Licenciado em informática e pós-graduado em gestão, Abílio Tavares da Silva possui ainda licenciatura em enologia pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro. Foi sócio e fundador de várias empresas na área do software financeiro e dos call centres, entre elas a Altitude Software, a Audaxys e a Teleperformance. 
 
Um sonho antigo e o apelo telúrico exercido pela mais antiga região vinhateira, foram os dois ingredientes que levaram Abílio Tavares da Silva a vender as empresas que detinha em Lisboa e rumar ao Douro com a família. Em maio de 2013, o projeto Foz Torto foi uma das quatro empresas vencedoras da primeira edição do Prémio Douro Empreendedor, organizado pela universidade de Trás-os-Montes, na categoria “Douro uma boa região para investir”, graças à invulgar e inspiradora história protagonizada pelo seu promotor.
 
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