O Monte da Ataláya, situado no coração do Alentejo vitivinícola, apresentou recentemente à imprensa o seu primeiro vinho, marcando uma nova etapa para uma propriedade com profundas raízes na tradição agrícola da região. Longamente dedicada à policultura e sempre gerida pela mesma família, a herdade evoluiu ao longo das últimas décadas para um projeto vitivinícola moderno, mantendo intacto o espírito artesanal e o respeito pela terra que sempre a caracterizaram.

Com uma filosofia clara — Produção Familiar Sustentável e utilização exclusiva de uvas próprias — o Monte da Ataláya afirma-se num setor onde a autenticidade e a responsabilidade ambiental ganham cada vez maior relevância. As uvas utilizadas provêm integralmente da propriedade e são trabalhadas segundo práticas de agricultura sustentável, reconhecimento que já garantiu à herdade a certificação máxima do Programa de Sustentabilidade dos Vinhos do Alentejo (PSVA).

A vinha ocupa atualmente 50 hectares, onde se cultiva uma diversidade de 12 castas diferentes, grande parte delas autóctones portuguesas. Nos 38 hectares de tintas encontram-se Alicante Bouschet, Syrah, Touriga Nacional, Touriga Franca, Marselan, Aragonez, Castelão e Cabernet Sauvignon. Nos 12 hectares de brancas, destacam-se Antão Vaz, Arinto, Roupeiro e Fernão Pires. Esta pluralidade varietal permite uma leitura ampla do terroir do Monte da Ataláya e sublinha o compromisso da herdade com a preservação e valorização das castas nacionais.

O primeiro vinho agora lançado resulta de uma seleção extremamente criteriosa: apenas 3 hectares, escolhidos entre os 50 existentes, foram destinados à produção inaugural. Trata-se de uma aposta deliberada na baixa produção como caminho para maior qualidade, numa estratégia que privilegia a expressão do terroir e a diferenciação no mercado. As restantes uvas são vendidas a terceiros, garantindo que apenas a matéria-prima com maior potencial integra o lote que dá início à história vínica do Monte.

O projeto apresenta-se, assim, com ambição tranquila e sólida, combinando memória, modernidade e um olhar atento ao futuro. A estreia deste vinho não assinala apenas um lançamento comercial, mas a consolidação de uma forma de trabalhar assente na sustentabilidade, na autenticidade e na convicção de que é na vinha — e no cuidado diário dedicado a cada parcela — que começa a nascer um grande vinho alentejano.